Abril Lilás: considerado o tumor maligno mais comum em homens jovens, o câncer de testículo pode ser identificado precocemente com simples autoexame

Por Nossa Hora
Quinta-Feira, 16 de Abril de 2026 às 16:56

Nódulo endurecido e, quase sempre, indolor em um dos testículos, volume aumentado (inchaço), sensação de peso no local, alterações na textura dos testículos são alguns dos sintomas que podem estar associados a um câncer testicular. Apesar de representar 5% dos tumores urológicos e de ser considerado altamente tratável, o câncer de testículo tem uma capacidade de crescimento muito rápida e pode ser letal ou deixar sequelas por toda vida. O Abril Lilás é o mês dedicado à conscientização sobre esse tipo de tumor que acomete, principalmente, homens jovens na faixa etária dos 15 aos 40 anos. “É um momento para conscientizar os jovens sobre a importância da prevenção”, explica o oncologista André Bacellar, da Oncoclínicas.

Diferente de outros tipos de neoplasia, o tumor testicular não tem um exame de rastreamento especifico para sua detecção, o que reforça a importância do autoexame. “O autoexame mensal é a principal forma de prevenção, é simples e deve ser feita após o banho quente, permitindo identificar alterações precoces nos testículos”, orienta André Bacellar.

“O tumor testicular se desenvolve muito rapidamente, mas quando ele é detectado cedo e tratado adequadamente, a possibilidade de cura pode ser superior a 95%. Por isso, ao notar qualquer alteração de textura ou nódulo no local, o indivíduo deve buscar ajuda médica imediatamente para uma investigação”, esclarece a oncologista Carolina Rocha, da Oncoclínicas.

A médica lembra que, além do autoexame, a rotina de prevenção também deve incluir as consultas regulares ao urologista. “Nos casos dos pacientes com histórico familiar de câncer urológico, o médico vai definir a periodicidade das consultas para um monitoramento mais efetivo”, acrescenta Carolina Rocha.

Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento da doença, histórico familiar (pai ou irmão que tiveram a doença) e pessoal, fatores genéticos, idade (dos 20 aos 40 anos), testículo não descido da bolsa escrotal ao nascer (criptorquidia), infecção por HIV e raça ( homens brancos têm cinco a dez vezes mais risco de ter a doença).

Perda da função testicular

“Além de permitir um tratamento menos invasivo, o diagnóstico em estágio inicial pode evitar sequelas que impactam a vida do paciente, como uma infertilidade que pode ser temporária ou irreversível”, afirma Carolina Rocha.

A doença se desenvolve nos testículos, glândulas localizadas no escroto e que são responsáveis pela produção de espermatozoide e de testosterona, e pode acarretar a perda da função testicular, causando diminuição da libido e infertilidade. “Tanto o tumor como o seu tratamento podem causar alterações hormonais que comprometem a produção de espermatozoides, deixando o paciente infértil”, explica André Bacellar. "Nos casos em que a neoplasia atinge os dois testículos e o tratamento indicado é a remoção cirúrgica de ambos, é importante que a equipe médica avalie junto com o paciente, caso ele queira ter filhos no futuro, a possibilidade do congelamento de sêmen para preservação da sua fertilidade", acrescenta o médico.

 

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